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domingo, 2 de dezembro de 2007

Forme-se antes, forme família depois

Muito me entristece saber que tantas mulheres da minha geração ainda se entregam ao casamento antes de terminar a faculdade, de ter uma profissão, de ter como principal fonte de renda o próprio trabalho. Tenho certeza de que não é por ingenuidade, toda nossa geração, de mulheres nascidas na década de 80, sabe muito bem que um relacionamento que começa assim em pleno 3° milênio tem tudo para dar errado. Acho que é mesmo uma mistura de ignorância com complexo de Cinderela.


Realização total

Assim como o homem, a mulher também precisa se sentir realizada em várias áreas de sua vida. A diferença em relação ao sexo masculino é que só na segunda metade do século XX nós pudemos colocar isso em prática sem sermos queimadas em fogueiras ou totalmente banidas da sociedade. Assim sendo, muitos homens ainda demonstram resistência para aceitar essa verdade. Em outros posts fiz referência a mais resistente e machista dessas alas: o alto clero da nossa santa e pecadora Igreja Católica Apostólica Romana, mas isso rende assunto para outros textos.

Quando a mulher, em pleno século XXI, abre mão de se realizar na vida social, acadêmica e/ou profissional com a ilusão de que a vida familiar irá realizá-la completamente, ela sabe que está tomando uma decisão radical e, provavelmente, muito mais emocional do que racional. Mas, se ela pudesse prever a frustação que isso lhe causará a médio e longo prazo, ela não apostaria tanto nesse conto de fadas.


Estudar é preciso, sempre

Casal apaixonado não sabe fazer conta e sempre se surpreende quando percebe que só com o que ganha não conseguirá pagar tudo o que planejara, mas o rombo é sempre maior quando só o homem trabalha. Se a mulher não está trabalhando, vai ter que trabalhar. Se ela não tiver curso superior é bem provável que só consiga algo do tipo balconista, recepcionista, estoquista, frentista, vendedora de shopping, atendente de lanchonete, operadora de telemarketing… resumindo: muito trabalho para pouco salário.

Não estou desmerecendo esses cargos, a maioria de nós começa a carreira profissional em um deles e por isso damos graças a Deus por ainda existirem profissões que não exigem curso superior completo. Por causa do mercado de trabalho disputado, é cada vez mais comum também nós, graduados, termos que aceitar empregos que só exigem nível médio para não ficarmos desocupados e sem nenhum tostão até surgir oportunidade em nossa área de formação. Porém, um emprego desses é muito pouco para uma mulher ou um homem que já assumiu o sacramento do matrimônio e, provavelmente, tem ou planeja ter filhos.

Nada impede que a mulher dê continuidade aos estudos depois de casada, mas dificilmente conseguirá fazer tudo aquilo que poderia ter feito quando era solteira, sem filhos e não tinha outra obrigação grave além de estudar. Geralmente, mulheres que param de estudar por causa do matrimônio e/ou da maternidade só voltam à sala de aula quando os filhos já terminaram o Ensino Médio, se voltam.

Se a mulher para de estudar antes de entrar na faculdade ou mesmo antes de terminar o Ensino Médio e volta para a escola depois de casada e/ou mãe de família, ela dificilmente conseguirá fazer o curso que queria na faculdade que queria, já que o tempo e a memória dedicada aos estudos não é a mesma da juventude. É provável que faça um curso pouco concorrido em uma faculdade que ela consiga pagar, mesmo que não se identifique com as disciplinas curriculares.

Isso sem falar na maioria das mulheres que, depois que param para se dedicar à família, jamais recuperam o ânimo de estudar.


Dinheiro + Família = Alegria
Família - Dinheiro = Desespero

Como na maioria dos casamentos o homem é mais velho que a mulher, é de se esperar que ele tenha mais escolaridade, mais experiência profissional e… uma renda maior que a dela. Numa família cristã, ou em qualquer outra família fundamentada pelo amor, isso não deve ser motivo de desentendimento, já que num casal espera-se que um supra, dentre outras, as carências afetivas, sexuais e financeiras do outro.

O que não pode haver em nenhum dos esposos é comodismo. Independente de quem ganha mais e/ou tenha carreira mais estável, ambos devem continuar estudando para que possam crescer profissionalmente. Aqui não falo mais de graduação, porque isso é o mínimo que espero de um casal de noivos cristãos do 3° milênio. Falo agora de cursos de idiomas, cursos livres, pós-graduações e até mesmo outras graduações para casos específicos.


Tempo para os filhos

O argumento de que a mulher que estuda e trabalha fora não tem tempo para o esposo e os filhos, além de machista, é mais furado que peneira. Não é preciso ser psicólogo para perceber o quanto as crianças e os adolescentes que não passam o dia todo com os pais são menos mimados e egoístas; mais independentes, sociáveis e auto-confiantes. Tudo isso porque convivem mais com outros adultos - babá, avós, tios, professores - e com outras pessoas da mesma faixa etária - irmãos, primos e colegas. Pais que passam parte do dia longe dos filhos valorizam mais a presença deles e por isso se esforçam para tornar a convivência familiar muito mais intensa, eficaz e agradável.

Problemas entre pais e filhos por causa da aparente falta de tempo são, na verdade, causados pelo falta de maturidade e autoridade dos pais na administração do tempo. Ainda assim, problemas justificados pela "falta de convivência" costumam ser menos graves dos que os causados pelo "excesso" dela. Eu sei bem o que é isso por experiência própria. Quem lê meu blog com freqüência sabe do que estou falando, mas não vamos mudar de assunto agora.


A Cinderela e seu Príncipe Encantado

Uma mulher com complexo de Cinderela, ao se casar com o "príncipe", vai logo soltando: "Para quê vou continuar estudando e trabalhando se o salário dele(a) é o dobro do meu"? Além de ignorar o risco de frustração futura por ter jogado no lixo a oportunidade de se realizar profissionalmente, essa pessoa pensa que "o príncipe" é perfeito e imbatível: alguém que nunca perde o emprego, que nunca adoece, que jamais será aposentado por invalidez, que não vai morrer, que não vai me largar para ficar com outra…

É claro que quando nos unimos a alguém para constituir uma nova família não queremos pensar no pior. Não queremos, mas devemos. Afinal, estamos nos casando por amor com alguém de carne e osso, como nós. Essa pessoa que eu amo e que pode me sustentar hoje, amanhã pode precisar de ajuda e eu, por amor, vou ajudá-lo, mas vai ser muito mais fácil se quando isso ocorrer eu já estiver trabalhando e atualizada nos estudos.

Se algumas mulheres se acham a Cinderela, também existem homens que se submetem ao papel de Príncipe Encantado. Nos casos mais comuns, o "príncipe" não incentivam a mulher a se realizar profissionalmente. Nos casos mais graves, ele proíbe ela de se dedicar a qualquer coisa que não seja para a família e dentro do lar.


Conseqüências na vida sexual

O que esse homem não sabe é que as mulheres que são exclusivamente donas-de-casa são as que têm maior probabilidade de se tornarem frígidas. Como só vive para o marido e para os filhos, a dona-de-casa perde, com o tempo, o gosto de se arrumar, de comprar roupas novas, de se maquiar, de se perfumar. Se não há capricho com a própria aparência, não há elogios. Sem elogios não há auto-estima. Sem auto-estima não há sexo.

Mas o caminho da dona-de-casa para a frigidez pode ser ainda mais curto, já que ela pode perder a auto-estima só de pensar na disparidade entre o que sonhava ser na juventude e o que realmente se tornou por ter se precipitado ao assumir os papéis de esposa e mãe.

Se há frigidez nas mulheres, os homens não estão isentos. Porém, nos homens a queda de libido e as disfunções eréteis são causadas principalmente por estresse, geralmente conseqüência da sobrecarga de muitos anos como único provedor da família.

É claro que abrir mão da realização profissional pode ter conseqüências muito mais dolorosas do que as supracitadas, mas preferi um exemplo mais objetivo e que os jovens têm mais facilidade para assimilar. Não é uma ofensa, são os hormônios. Eu também sou jovem e escrevo este texto solteira aos 22 anos de vida e castidade. Tenha certeza de que o que eu quis dizer com "facilidade para assimilar" não tem nada a ver com nossa capacidade intelectual, mas sim com nossa sensibilidade sexual.


Antes que perguntem…

Helen, com que autoridade você escreve sobre esse assunto sendo solteira e sem filhos? Não escrevo com autoridade nenhuma, só estou testemunhando a realidade. Como moro na periferia, aqui tem muita mulher que se acha Cinderela e quebra a cara por isso. O sentimento de frustração eu percebo principalmente na minha mãe e nas mulheres da geração dela, mas infelizmente ainda há muitas Cinderelas na minha geração, algumas são amigas de infância, ex-colegas do Ensino Básico… Quero que pelo menos as que lerem este texto não quebrem a cara também. Sou uma jovem que, mesmo graduada, reconhece que ainda precisa estudar muito para conquistar a estabilidade profissional necessária para assumir o matrimônio e a maternidade com responsabilidade.


E daí?

Homens, tudo o que escrevi neste texto serve para vocês. Só coloquei as mulheres como protagonistas porque nós precisamos correr atrás do prejuízo causado pelas centenas de anos em que éramos somente objetos.

Mulher, pare de estudar, vire dona-de-casa em tempo integral, não se dedique a nada além do lar, morra de desgosto e ainda seja chamada otária.

Mulher, estude, trabalhe, faça acontecer, viva feliz e receba muitos elogios de brinde.

A escolha é sua, não vá dizer que eu não avisei.

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