segunda-feira, 6 de abril de 2009

Estados femininos e masculinos

A língua portuguesa é muito complicada. Quem acha o português muito fácil, não sabe português ou nunca estudou inglês, para poder comparar o grau de dificuldade. Na maioria das vezes, quanto mais estudamos mais percebemos nossos muitos erros habituais e concluimos que só achávamos aquilo fácil porque não tínhamos aprendido ainda. Trocando em miúdos, quanto mais a gente estuda, mais difícil fica.

Em um idioma cheio de regras e exceções nada razoáveis, a memória fotográfica conta muito. Eu, por exemplo, de tanto ler, aprendi ainda na infância muitas regras que só tive oportunidade de entender na idade adulta. Até hoje e toda semana aprendo mais regras da nossa língua. A maioria delas eu já aplicava, mas se alguém perguntasse o porquê, eu responderia “li num livro do Eça de Queiroz” ou “Machado de Assis escreve assim”, não saberia explicar.

Estados precisam ter gênero?

Uma dessas regras, cheia de exceções nada razoáveis de nosso idioma é o uso (ou não) de artigos antes dos nomes dos estados.

Um saco, primeiro porque na prática não faz diferença nenhuma um estado ser substantivo masculino ou feminino, portanto o ideal seria que nenhum deles admitisse artigo. Segundo porque nem os especialistas explicam claramente o porquê de ser assim ou assado, o que indica que o uso em alguns casos é determinado por convenção e não por regra. Mais um fato que coloca em vantagem as pessoas com hábito regular de leitura.

Mas, como blogueiros que somos, não temos o que temer. Lemos muito, escrevemos muito e, seja por meio da memória fotográfica ou pela prática de escrita, vamos aprender o que convencionou-se utilizar para cada uma das 27 unidades federativas brasileiras.

Os estados masculinos

A regra é utilizar o artigo o, seja porque o nome começa com um substantivo masculino, seja porque a palavra estado está implícita. As 16 (dezesseis) unidades federativas que seguem a regra são:

o… em + o… de + o…
01 o Acre no Acre do Acre
02 o Amapá no Amapá do Amapá
03 o Amazonas no Amazonas do Amazonas
04 o Ceará no Ceará do Ceará
05 o Distrito Federal no Distrito Federal do Distrito Federal
Obs.: No nome Distrito Federal, apesar de não termos a palavra estado implícita, temos a palavra masculina distrito explícita.
06 o Espírito Santo no Espírito Santo do Espírito Santo
07 o Maranhão no Maranhão do Maranhão
08 o Mato Grosso no Mato Grosso do Mato Grosso
09 o Mato Grosso do Sul no Mato Grosso do Sul do Mato Grosso do Sul
10 o Pará no Pará do Pará
11 o Paraná no Paraná do Paraná
12 o Piauí no Piauí do Piauí
13 o Rio de Janeiro no Rio de Janeiro do Rio de Janeiro
14 o Rio Grande do Norte no Rio Grande do Norte do Rio Grande do Norte
15 o Rio Grande do Sul no Rio Grande do Sul do Rio Grande do Sul
16 o Tocantins no Tocantins do Tocantins

Estados sem gênero

A primeira exceção são os 9 (nove) estados que não admitem artigo. São eles:

em… de…
1. Alagoas em Alagoas de Alagoas
2. Goiás em Goiás de Goiás
Dica: Lembre-se que sempre que usar o artigo o antes do substantivo próprio Goiás, estará se referindo ao Goiás Esporte Clube ou ao seu time de futebol - o Goiás. Jamais o artigo o será utilizado para se referir ao estado de Goiás.
3. Minas Gerais em Minas Gerais de Minas Gerais
Dica 1: Apesar de não ser a convenção, usar as antes do nome próprio Minas Gerais não está incorreto, sendo esse hábito bastante comum entre escritores e poetas: as Minas Gerais, nas Minas Gerais, das Minas Gerais.
Dica 2: Quando alguém utiliza a expressão o Minas (do Minas, no Minas), está se referindo ao Minas Tênis Clube ou à uma de suas equipes esportivas (vôlei, basquete, futsal e natação).
4. Pernambuco em Pernambuco de Pernambuco
5. Rondônia em Rondônia de Rondônia
6. Roraima em Roraima de Roraima
Dica 1: A expressão o Roraima (do Roraima, no Roraima) refere-se ao Monte Roraima, na fronteira tríplice entre Brasil, Venezuela e Guiana.
Dica 2: A expressão a Roraima (da Roraima, na Roraima) faz referência à uma classe de navios do Brasil com esse nome.
7. Santa Catarina em Santa Catarina de Santa Catarina
Dica: Quando você usar a Santa Catarina estará se referindo a uma das santas com esse nome. Quando usar o Santa Catarina, estará se referindo a algum bairro, hospital, mosteiro, colégio ou outro estabelecimento com esse mesmo nome. Sempre que se referir ao estado de Santa Catarina, não use artigo antes do nome. 
8. São Paulo em São Paulo de São Paulo
Dica 1: Lembre-se que, no Brasil, sempre que usar o artigo o antes do substantivo próprio São Paulo, estará se referindo ao São Paulo Futebol Clube ou ao seu time de futebol - o São Paulo. Jamais o artigo o será utilizado para se referir ao estado de São Paulo.
Dica 2: A expressão a São Paulo (na São Paulo, da São Paulo) faz referência à Grande São Paulo ou a alguma rua com esse nome.
9. Sergipe em Sergipe de Sergipe
Dica: Para se referir ao rio de mesmo nome que corta o estado, escreve-se o Serjipe, ou seja, artigo o na frente e Serjipe com j.

Estados femininos

São elas eles:

a… em + a… de + a…
1. a Bahia na Bahia da Bahia
Dica: Lembre-se que, no Brasil, sempre que usar o artigo o antes do substantivo próprio Bahia, estará se referindo ao Esporte Clube Bahia ou ao seu time de futebol - o Bahia. Jamais o artigo o será utilizado para se referir ao estado da Bahia.
2. a Paraíba na Paraíba da Paraíba
Dica: Quando alguém usa a expressão o Paraíba (no Paraíba, do Paraíba), está se referindo ao Rio Paraíba, que banha o estado homônimo. Na linguagem informal, “o paraíba” é uma expressão utilizada como sinônimo de “o paraibano”.

Decorou?

10 comentários:

  1. Goiana fajuta! Goiana que se preza diz que morar no Goiás é bão demais da conta! ;)

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  2. Ah! Credo!

    Só falta você dizer que eu tenho que detestar Brasília, virar sem dar seta, gostar de breganejo e juntar dinheiro para ir trabalhar na Espanha.

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  3. Eu aplicava essas regras todas sem conhecê-las consciente!

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  4. @Thiago,

    Quando a gente lê bastante, aprende mesmo, sem ter consciência.

    Para quem lê e escreve pouco, os erros mais comuns na pronúncia são:

    as Alagoas
    o Goiás
    o Pernambuco
    o Sergipe

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  5. Gostei deste seu post. Aqui em Portugal não temos 'estados', pois somos muito pequenos para isso. Administrativamente, estamos divididos por 'distritos'. Mandam as regras que os seus nomes não sejam antecedidos por nenhum artigo. Portanto, não tem género ou, como dizemos por aqui, são 'neutros'. No entanto, todos por aqui 'sabemos' que Lisboa é feminino e Porto, masculino. Aprecio o seu blogue.

    António

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  6. Esse resumão vale até para estudar para o vestibular.
    Valeu!
    Abraço

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  7. @António,

    Para você ver como são as coisas por aqui: nosso idioma já é complicado e ainda inventam de usar gêneros com os nomes de estados, complicando as coisas.

    ----- // ----- // ----- // ----- // -----

    @Roberto,

    Que bom que minha lista foi útil. Volte sempre!

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  8. Nossa... grande poste!! Fantástico!!! É ótimo ler um artigo com o português correto. Blog com erros não passam por minha aprovação mesmo! Eu tento escrever o mais correto possível, mas como vc mesmo disse Helen, o portuguê muito complicado! Bjao do SHD e parabéns!!!

    Alberto do Sexy Help Desk publicou um post sobre.. Os 5 segredos sobre sexo que as mulheres nunca revelam

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  9. Olá tenho uma duvida, preencho diversos fomulários, de homens e mulheres e no campo de NACIONALIDADE sempre prrencho com duvidas, coloco para mulher-BRASILEIRA e para homem-BRASILEIRO esta correto? uma vez vi um documento preenchido que estava a NACIONALIDADE de um homem BRASILEIRA?? por isso a duvida pode me ajudar me mandem uma explicação completa como aquela das horas.10
    obrigada
    Vilma
    vilma_sbarros@hotmail.com

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  10. @Vilma, o ideal é o adjetivo pátrio concordar com o sexo da pessoa, mas se o cara preferiu escrever brasileira é porque achou mais bonitinho fazer a concordância com nacionalidade.

    Apesar de não ter seguido a convenção, não podemos dizer que ele escreveu errado, porque o argumento de que brasileira concorda com nacionalidade é irrefutável.

    Só seria mesmo errado se uma mulher escrevesse brasileiro, porque aí não haveria nenhuma concordância.

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