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quinta-feira, 18 de junho de 2009

10 passos para perder sua vaga no mercado para um jornalista sem #diploma

Você é estudante de Jornalismo e acha que agora pode perder sua vaga para um jornalista sem diploma, certo? Acorde para a vida e pare de achar. Tenha certeza! Você pode perder, sim! Principalmente se seguir esses dez passos infalíveis que lascam qualquer aspirante à tão nobre ordinária profissão:

  1. Acredite que a faculdade vai ensinar tudo o que você precisa saber, sendo desnecessário buscar informações fora dela, como workshops, seminários, cursos intensivos, cursos de férias, cursos de idiomas. Tudo isso é bobagem!
  2. Seja passivo e espere tudo de seus professores: cursos, dicas de livros, vagas de estágio… tudo isso deve vir deles. Acredite que o mercado de trabalho é exatamente como seu professor concursado, que não exerce a profissão há mais de 10 anos, diz.
  3. Ache normal a sua faculdade ensinar Projeto Gráfico antes de ensinar Jornalismo Impresso, mas não ensinar Webdesign antes de Webjornalismo. Evite questionar isso e aceite tudo como está, inclusive achando plausível que aquele seu professor que nem sabe a diferença entre blog e fórum seja o titular da disciplina de Web.
  4. Coloque na cabeça que buscar cursos avançados de informática (PhotoShop, InDesign, Dreamweaver…) é totalmente desnecessário porque isso é serviço para técnicos que só têm nível médio.
  5. Recuse freelas como repórter, redator, revisor, diagramador, fotógrafo… antes de terminar a faculdade, é anti-ético. Pelo mesmo motivo, recuse também praticar a profissão fazendo trabalho voluntário para igrejas, ONGs e associações com as quais você se simpatiza.
  6. Confie na meia dúzia de vagas de estágio regulamentadas por convênios com a sua faculdade, sendo anti-ético buscar estágio fora delas. Deixe para começar a praticar no 6º ou, quem sabe, o 7º período, sempre como estagiário regular.
  7. Acredite que você será um empregado ou servidor público, ganhando sempre mais que o piso da categoria. Em nenhum período de sua vida você dependerá exclusivamente de freelas. Isso é para os fracos, portanto você está dispensado de manter-se atualizado sobre trabalho autônomo e empreendedorismo.
  8. Saiba que você está dispensado de ler livros e artigos sobre Relações Públicas, Publicidade e Propaganda e Marketing, porque você é pura e simplesmente um jornalista e o mercado de trabalho exigirá de você apenas conhecimentos em Jornalismo.
  9. Mantenha a desorganização física e mental: troque a leitura do jornal impresso por qualquer outro portal da web, ignore a importância de ter uma agenda de contatos, evite planejar o futuro, deixe para distribuir currículos depois de formado, esqueça de organizar seus horários de estudo e cursos, use suas horas de descanso para trabalhar/estudar e durma durante a aula, etc. Muita bagunça ajuda a despertar a criatividade.
  10. Se estiver precisando de dinheiro, mesmo depois de começar o curso aceite empregos fora da área de Jornalismo: atendente de telemarketing, vendedor em shopping, caixa de supermercado, recepcionista de hotel. Afinal, isso não vai atrapalhar os estudos, não vai adiar seu ingresso na área de formação e muito menos tirar você do seu foco profissional.

Ufa! Até que foi divertido. Quantas dessas mentiras você já ouviu na faculdade? Eu ouvi quase todas e o pior: pratiquei todas elas. Deve ser por isso que eu não dinheiro nem para almoçar hoje. Faça o que digo, jamais o que faço.

Humor negro para desanuviar

Eu estava escrevendo um post sobre as deficiências das escolas de Jornalismo, mas ía ficar estranho se eu publicasse aquele post primeiro sem falar da desobrigação do diploma.

A verdade é que estou me sentido o côco do cachorro do mendigo, um zero à esquerda do quinto zero à esquerda, o vômito do bêbado que dormiu pelado no ponto de ônibus, o trema no Brasil pós reforma ortográfica… Depois de três anos graduada sem conseguir emprego na minha área (só freelas muito mal remunerados), o meu único diferencial (diploma) não é mais diferencial.

Quem acompanha meu blog sabe que minha história é triste, triste e trash, muito por incompetência dos meus pais, muito por incompetência minha. Porém, incrivelmente, as pessoas estão sempre pedindo conselhos profissionais o_O. Sério! Só por eu ser feliz, inteligente e dedicada acreditam que eu também seja bem-sucedida profissionalmente e me pedem dicas como se eu fosse um exemplo a ser seguido.

Eu nem discordo, aproveito a oportunidade para ensinar, ensinar tudo que eu não fiz, é claro. Você já reparou que a maioria dos conselheiros amorosos são solteiros e/ou trocam de namorado como quem troca de roupa? Minha lógica é parecida, como profissional lascada, eu brinco de dar conselhos profissionais contando o que eu deveria ter feito, mas não fiz.

Até mais!

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