Busca

Carregando...

sábado, 16 de janeiro de 2010

Fazer cursinho ou estudar sozinho?

Este é um artigo sobre educação e concursos.
The Latin Quarter, Paris, France
Biblioteca: excelente refúgio para vestibulandos e concursandos.

As pessoas sempre me perguntam isso, seja quando vão se preparar para o Enem, para vestibulares ou para concursos públicos, mas é impossível dar uma boa resposta sem conhecer o perfil de aprendizagem da pessoa.

Como eu contei no post 10 passos para perder sua vaga no mercado para um jornalista sem diploma, as pessoas estão sempre me pedindo conselhos para suas vidas acadêmicas e profissionais, então eu aproveito para ensinar minhas experiências negativas e positivas, porque ao menos os meus muitos erros devem servir para alguma coisa.

Talvez essa tal credibilidade que as pessoas conferem a mim se deva ao fato de eu sempre ter sido muito observadora. Nesses meus 20 anos de estudante uma das minhas certezas é que NÃO EXISTE uma forma de estudar que funcione bem com todos os indivíduos, apesar de tantos pais, palestrantes e professores ainda insistirem no contrário.

Seguem quatro estereótipos de alunos que podem ajudar você a se autoconhecer e assim encontrar o melhor método de estudos para seu perfil.

  1. O tarado por aulas
  2. O disperso que revisa em casa
  3. O fantasma que sempre passa
  4. O azarão que aprende por simbiose

1. O tarado por aulas

Vou ter bastante facilidade para falar sobre isso porque é o meu perfil, vou usar até a primeira pessoa. Para os menos caxias pode soar estranho, mas sou apaixonada por aulas. Presto atenção em tudo o que o professor diz, do começo ao fim. Também sou atenta às intervenções dos colegas e ouço a todos com atenção, mesmo a aqueles com raciocínio lógico comprometido (em cursinhos baratos e em universidades particulares, infelizmente, esses são maioria, exigindo um pouco mais de minha, já curta, paciência).

Detesto faltar aula, detesto chegar atrasada, detesto quando o professor se atrasa, detesto ter que sair antes do fim da aula, destesto quando o professor libera mais cedo, detesto colegas que conversam durante a aula, detesto até sentir vontade de ir ao banheiro no meio da aula, porque não quero perder um trecho sequer de uma aula expositiva, de um seminário ou de uma discussão em grupo.

Em casa, faço todas as tarefas e trabalhos que o professor pediu na aula anterior, mas geralmente não faço mais do que isso. O que pode ocorrer é eu me empolgar na leitura ou nos exercícios e adiantar algumas aulas, mas juro que é sem querer, não faço isso para bancar a sabichona, é que eu realmente gosto de estudar e sinto muito prazer quando aprendo coisas novas.

Estudantes escrevendo.

SINESTÉSICO: Nós, tarados por aula, somos altamente sinestésicos. A gente não aprende só porque está vendo e ouvindo o professor. A gente aprende porque está vendo e ouvindo o professor, sentindo a temperatura da sala de aula, sentindo os cheiros dos colegas, sentindo o gosto do lanche na hora do intervalo…

Parece viagem demais para você? Então é porque você não é tão sinestésico quanto nós e muito menos um tarado por aula, porque para nós sentir todas essas sensações juntas e ao mesmo tempo é essencial para que aprendamos bem e rápido. Nosso cérebro adora fazer associações aparentemente malucas de cheiros com falas, sabores com rostos, ideias com temperaturas, etc.

Um exemplo bastante lúdico que posso partilhar com vocês é que sempre que vou fazer prova de português, em qualquer concurso que seja, a estridente e inconfudível voz da Lúcia Vasconcelos fica martelando na minha cabeça dizendo exatamente a resposta da questão que estou lendo e é claro que cada frase sempre começa com o vocativo “Amados”. #piadainterna

PONTO NEGATIVO: Assim como todo mundo que gosta de estudar, eu tenho as minhas disciplinas favoritas, de forma que me divirto tanto com elas que me esqueço de me dedicar às matérias das quais menos gosto e nas quais, geralmente, tenho mais dificuldade.

CONCLUSÃO: Assim como eu, quem é tarado por aulas deve preferir estudar em cursinhos e, se tiver tempo, participar também de grupos de estudos. No grupo, o tarado por aulas estará também revisando sempre que for explicar alguma coisa a um colega.

Estudando sozinhos nós ficamos cada vez melhores nas disciplinas que já amamos, mas corremos o sério risco de ficarmos desatualizados nas outras matérias e até zerarmos nelas. Perigo!

2. O disperso que revisa em casa

A maioria dos alunos tem esse perfil. O aluno disperso não detesta assistir aula, mas também não é tão apaixonado por isso. Ele não fica o tempo todo atento, gosta de olhar para os lados, manter conversas paralelas, folhear revistas, acessar e-mail e bater papo on-line, mas prefere fazer tudo isso dentro da sala, porque acha importante estar de "corpo presente".

Apesar de tender para a dispersão, esse aluno pode conseguir se concentar nas aulas de suas disciplinas favoritas, de forma que para esses professores ele seja confundido com um tarado por aulas.

Para suprir sua própria falta de atenção durante a aula, esse aluno é o mais chato no que se refere a cobrar dos professores que deixe o material na “XEROX” e que envie slides e "pdfs" de suas aulas expositivas por e-mail. E, acredite ou não, ele consegue encontrar motivação para ler tudo isso em casa, ao contrário do tarado por aula, que acharia muito chato revisar sozinho algo que já aprendeu em sala.

Em casa, fazem as tarefas das quais se lembram. Geralmente não se lembram de todas, porque não estavam prestando atenção no momento em que o professor falou. Por isso o aluno revisor também é sociável, tem os telefones e os e-mails de vários colegas, geralmente outros revisores e de alguns tarados por aulas, porque assim podem ligar ou escrever caso tenham dúvidas sobre os trabalhos que o professor pediu.

Estudantes uniformizados
Já achou o aluno dispero da turma?

VISUAL: O aluno disperso é muito visual e pouco auditivo, é por isso que ele acha mais importante estar na sala, olhando o professor e sendo visto por ele, do que prestar atenção no que ele tem a dizer. A fala do professor pode estar mudando o tempo todo, mas se não tiver um recurso visual que ilustre isso (slides, filmes, etc.) o aluno não consegue acompanhar e assim se dispersa. É por isso também que ele tem facilidade para revisar sozinho em casa, onde apenas a leitura (visual) é suficiente para que aprenda.

PONTO NEGATIVO: Como não consegue não se dispersar em sala de aula, esse aluno precisa ter tempo para revisar. Sabe aqueles seus amigos que têm extrema dificuldade para conciliar trabalho e estudos? É muito provável que eles sejam dispersos-revisores e assim não consigam aprender muito por não terem tempo de estudar em casa ou em uma biblioteca.

CONCLUSÃO: Se for um estudante em período integral, não há dúvida de que fazer cursinho em um período e revisar no outro seja o melhor para você. Mas caso não tenha um patrocinador e precise trabalhar para bancar seus estudos, prefira estudar em grupos de estudo ou sozinho com cursos on-line que tenham aulas em vídeo. Tendo o controle sobre a fala do professor você poderá simplesmente pausar ou repetir sempre que se dispersar.

3. O fantasma que sempre passa

Esse é um dos tipos mais misteriosos. Sabe aquele colega que nunca está na aula, mas sempre “assina a lista” de presença e consegue passar? Quem nunca teve alguns colegas assim no colégio ou na faculdade? Se você não era um aluno fantasma também, com certeza até se lembra os nomes das figuras, porque mesmo que eles quase nunca apareçam, esses colegas nos deixam tão indignados que é difícil esquecê-los.

Mas se você já foi um aluno fantasma, deve se lembrar bem como fazia para conseguir se sair bem nas provas e trabalhos mesmo sem assistir uma aula inteira sequer. O aluno fantasma não ama aula. O aluno fantasma não odeia aula. O aluno fantasma é apenas indiferente à aula. Ele é tão inteligente, esperto e soberbo que sabe que consegue se dar bem nos estudos independente dos professores e dos colegas. Ele é um autodidata, mas um autodidata por cima da carne seca, diga-se de passagem.

Ghostbusters

VISUAL: Ele lê sozinho em casa e aprende tudo. Não precisa ouvir o professor. Não precisa sentir a temperatura da sala de aula. Não precisa sentir o cheiro do colega. Não precisa sentir o gosto do café da lanchonete. Simples assim!

PONTO NEGATIVO: Nunca será levado a sério pelos professores e será odiado pela maioria dos colegas, assim terá mais dificuldade para conseguir ajuda gratuita se um dia precisar.

CONCLUSÃO: Estude sozinho e seja feliz!

4. O azarão que aprende por simbiose

Odeia matemática, odeia portugês, odeia inglês, odeia informática, odeia redação, odeia, odeia, odeia! O azarão detesta estudar e por isso, sozinho, tende a se dar mal, muito mal. Porém, ciente de sua dificuldade para amar aulas, livros e apostilas, ele forma grupos de estudos, geralmente com outros azarões, aprende e se torna um excelente aluno, graças à simbiose.

Grupo de estudo

SINESTÉSICO: Assim como o tarado por aulas, o azarão também é sinestésico, com a diferença de que é um sinestésico que não gosta de estudar. Em grupo ele finalmente consegue aprender alguma coisa porque seu cérebro associa todas as sensações que vive no grupo (os rostos e as vozes dos colegas, os lanches que fazem juntos, o cheiro de cada um, os sentimentos que existem entre eles, a satisfação de aprenderem juntos, o ônibus que cada um pega para voltar pra casa…) com os conceitos dos livros que precisam ser aprendidos. Legal, né?

PONTO NEGATIVO: Se o azarão não tiver consciência de que só se dava bem no ensino básico ou na faculdade porque estudava em grupo, ele pode achar que ficou “burro” se tentar estudar sozinho para um vestibular ou concurso e não conseguir aprender, mas a verdade é que só está estudando do jeito errado.

CONCLUSÃO: Conheça pessoas que estão estudando para os mesmos vestibulares e concursos que você e forme grupos de estudo com elas. Fazer cursinho é uma boa opção se você tiver tempo o suficiente tanto para as aulas, como para as reuniões do grupo.

A escolha é sua!

E aí? Já descobriu qual dos estereótipos acima se encaixa mais no seu perfil? Não se assuste se você se identificar com mais de um deles. O mais importante não é encontrar o seu rótulo, mas sim encontrar a forma de estudos que funciona pra você. Independente da forma que você escolheu, recomendo que resolva muitas listas de exercícios de provas anteriores do vestibular ou concurso que você vai prestar.

Caso não tenha se identificado nem um pouco com nenhum dos perfis acima, provavelmente você seja muito frustrado com os estudos e talvez até já tenha parado de estudar por causa disso. Nesse caso, se quiser retomar, vai ter que começar com os cursinhos e em seguida formar grupos de estudo para passar a se observar melhor e descobrir o seu perfil.

Não sou psicóloga e muito menos pedagoga, tudo o que está escrito acima é apenas a minha opinião baseada na minha observação e por isso não merece ser levada mais a sério do que qualquer outra opinião. Aliás, aproveite os comentários para deixar a sua.

Até mais!

Posts relacionados