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domingo, 10 de abril de 2011

Bem informado X muito informado

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A confusão entre bem informado e muito informado é algo que me incomoda bastante há anos, por isso resolvi escrever um texto que talvez traga alguma luz para as pessoas. É claro que existem várias causas históricas e tecnológicas para essa bagunça toda, mas eu não estou aqui para entrar no mérito sociológico da questão. Pretendo ser prática.

  1. O que diz o dicionário?
  2. E os comunicadores sociais?
  3. Se não é útil nem prazeroso, descarte

1. O que diz o dicionário?

De qualquer forma, essa confusão não aconteceria se prestássemos mais atenção aos significados dos advérbios.

Dicionário

No Aulete, a primeira definição da palavra bem é a seguinte:

De modo bom e conveniente.

No mesmo dicionário, a primeira definição de muito é:

Em grande quantidade ou intensidade.

Se já sabemos que comer bem não é igual a comer muito, que trabalhar bem não é igual a trabalhar muito, que falar bem não é igual a falar muito, então temos que nos livrar de vez da ilusão de que bem informado é igual a muito informado.

  1. O que importa é estar BEM informado. Ser só MUITO informado serve para quase nada nesta vida.
  2. Você não precisa estar MUITO informado para se manter BEM informado.
  3. Há muitas pessoas que estão MUITO informadas e ao mesmo tempo MUITO MAL informadas, porque não têm o que fazer com tanta informação.

Para manter-se informado de modo bom e conveniente precisamos saber para quê estamos nos informando. Pode parecer um questionamento bobo, mas você perde muito tempo e energia quando consome informação mecanicamente, sem ter consciência de onde pretende chegar com isso. Eu defendo que é preciso ter algum foco, mesmo quando você se informa apenas por entretenimento.

E você? Para quê está se informando?

2. E os comunicadores sociais?

Existe por aí a ilusão de que os comunicadores (blogueiros, vlogueiros, jornalistas, publicitários…) precisam “saber de tudo”. O negócio não é tão bagunçado assim. Não mesmo.

Eu, por exemplo, atualmente trabalho como redatora de radiojornalismo¹. Meu trabalho é selecionar e editar notícias de Goiás, do Brasil e do mundo, que serão lidas ao vivo pelos locutores. Pelo caráter do meu trabalho, a primeira impressão que se tem é de que estou muito bem informada sobre tudo o que acontece no mundo inteiro.

Pilha de jornaisApesar de estar relativamente bem informada sobre política, economia, ataques terroristas, tragédias naturais e serviços de utilidade pública, como educação e telefonia, me sinto desatualizada em relação “aos mundos” da moda, dos recursos humanos, dos carros importados, do marketing digital e até dos materiais de construção, assuntos sobre os quais eu tinha que ler TODO DIA no meu último emprego.

Ou seja: eu era bem informada antes e continuo bem informada agora, mesmo acompanhando assuntos totalmente diferentes. Acho que pelo meu exemplo já deu para “sacar” o que eu quis dizer, mas não custa concluir:

Mesmo para um comunicador profissional, o conceito de bem informado está intimamente ligado à UTILIDADE da informação.
1. Eu levei tantos meses para terminar este artigo que já mudei de departamento e função no meu trabalho, mas o exemplo continua válido.

3. Se não é útil nem prazeroso, descarte

Quem lê o jornal inteiro todo dia? Com exceção de alguns jornalistas neuróticos, não conheço quem tenha o hábito de fazer isso. Mesmo quem trabalha com hard news seleciona os cadernos dos quais realmente precisa. Atualizando o exemplo para as mídias de hoje, temos algumas pessoas que se sentem obrigadas a ler todas as notícias que recebem por feed, o que também é totalmente sem cabimento.

Google Reader

Desde criança eu sou bastante seletiva, em todos os aspectos da vida, por isso tenho bastante facilidade para eliminar também o lixo informativo. Ao contrário de muita gente que conheço, não vi dezenas de vezes as matérias sobre inundações na serra fluminense, os vídeos do tsunami no Japão e muito menos estou acompanhando a “novela” sobre a chacina infantil no Realengo.

Não digo que todo mundo que vê e revê essas matérias está perdendo tempo também. Se essas pessoas insistem em acompanhar, provavelmente sintam um prazer mórbido nisso. As emissoras tanto sabem da existência desse hobby macabro que repetem várias vezes a mesma desgraça para manter audiência. Como eu defendo que tempo investido em prazer não é tempo perdido, respeito a forma estranha como muita gente usa o seu.

Resumindo, você está literalmente PERDENDO TEMPO quando se informa sobre assuntos que não têm UTILIDADE em sua vida e não te dão PRAZER.

Jornal no lixo

Existem também casos extremos: quando o excesso de informação paralisa, faz você desistir do seus sonhos ou provoca um medo exagerado ou totalmente fantasioso. Hoje mesmo li um post muito interessante da Bruna Célia exemplificando isso:

Como a maioria de nós não escolhe muito bem e, quando percebe, já está lendo/assistindo porcaria midiática, sugiro que sempre tentemos “encaixar” as informações em uma das seguintes categorias:

► Útil para minha vida pessoal
No meu caso: mudanças em linhas de ônibus da cidade, agenda de shows e eventos em Goiânia, liquidações em shoppings, concursos públicos federais…
► Útil para minha carreira acadêmica e/ou profissional
No meu caso: política no Estado de Goiás, informações sobre melhorias nos bairros de Goiânia, marco regulatório das telecomunicações, leis aprovadas no Congresso Nacional, política internacional…
► Não serve para nada, mas me dá prazer (hobby)
No meu caso: lançamentos de perfumes, novos modelos de Melissa, novidades nas séries que assisto…

Se não se encaixou em nenhuma categoria, simplesmente descarte e aceite: você não é o público-alvo de toda informação disponível no mundo. Garanto que sua vida vai fluir muito mais suavemente quando você finalmente entender e praticar isso.

Até mais!

Imagens: www.teclasap.com.br,
cuidedoseumundo.blogspot.com,
arktetonix.com.br e www.ecait.org.

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