quarta-feira, 13 de junho de 2012

Goianos miseráveis e seus políticos

Cyro Miranda. Foto: Pedro França, Agência Senado

Há menos de três meses, o senador Cyro Miranda (PSDB-GO) afirmou ter pena do colega que vive com R$ 19 mil de salário líquido, afirmação que provocou muito burburinho na época.

"Eu não vivo do salário de senador, mas tenho pena daquele que é obrigado a viver com R$ 19 mil líquidos com a estrutura que temos aqui. Sou favorável ao projeto, mas que a gente pense diferente quando se propuser remuneração". (Conforme citou o Correio Braziliense.)

Quando ele disse isso, muitos jornalistas, blogueiros e tuiteiros tiraram a frase do contexto, repercutiram como se o Cyro Miranda tivesse dito ter pena de todo brasileiro que vive com menos de R$ 19 mil. Mas ele estava falando apenas dos senadores. O que, na minha opinião, torna a afirmação ainda mais absurda, porque mostra o quanto ele acredita que os senadores são seres superiores, semideuses que merecem ter uma vida de luxo e para isso não podem ganhar “apenas” 30 vezes o salário mínimo garantido ao restante da população.

Marconi Perillo

Ontem (12/06/2012), na CPI mista do Cachoeira, o governador Marconi Perillo (PSDB-GO) afirmou que a polêmica casa de R$ 1,4 milhão - que ele, supostamente, vendeu para o Carlos Augusto (Cachoeira) sem saber – era “normal” de classe média. Ele usou o termo “normal” no sentido de usual, como se fosse comum uma pessoa de classe média daqui de Goiânia ter uma casa dessas. Para quem não conhece o mercado imobiliário da cidade, ficam alguns esclarecimentos:

  • uma casa em qualquer condomínio fechado aqui em Goiânia é, no mínimo, de classe média alta, portanto não é “normal” para a classe média como um todo;
  • uma casa no Alphaville Flamboyant não é “normal” nem para a classe média alta;
  • uma casa de 450 m² aqui em Goiânia só é “normal” para a classe média se for herança ou se for na periferia;
  • uma casa de R$ 1,4 milhão aqui em Goiânia não é uma casa de classe média.

Depois que dois dos nossos principais representantes fazem essas afirmações extremamente elitistas e alheias à realidade da verdadeira classe média brasileira, à qual a maioria pertence, como um eleitor goiano faz para não se sentir um miserável? Difícil.

Fotos: Agência Senado

3 comentários:

  1. Não conhecendo a realidade do povo goiano, como pode ser um bom governador e atender aos anseios dos cidadãos? De uma coisa ele entende muito bem: publicidade.

    Fico intrigada com a nossa falta de opção para a política do Estado. Talvez você possa me ajudar. Tive uma visão muito positiva em relação ao trabalho realizado pelo Francisco Jr e ele estava entre os melhores,para mim. Porém, como explicar tanta proximidade e tanto apoio ao Marconi Perillo? Ele assinou uma nota de apoio ao governador na segunda-feira, lá na Assembléia.

    Acho que a melhor opção será votar NULO.

    Um abraço!

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    1. Michelle, é tudo muito complicado. O Marconi com certeza sabe bem o que significa o termo "classe média", mas provavelmente disse isso em uma tentativa desnecessária e fracassada de aparentar ser menos rico do que é.

      Quando o Francisco Jr entrou na política eu já achei chato ele ter se filiado ao PMDB e ser afilhado político do Iris. Sei que mau caratismo não é vírus facilmente transmissível, mas quando a gente vê proximidade demais fica difícil acreditar que o honesto permanecerá assim por muito tempo.

      É por essas e outras que sou a favor da campanha Não reeleja ninguém. Pelo menos a gente promove distribuição de renda.

      Adorei você ter comentado aqui. Volte sempre! :)

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  2. Sim, temos então duas opções: votar nulo ou não reeleger ninguém.

    Estou bem interessada no seu blog, lindinha.

    Beijos

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