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terça-feira, 3 de setembro de 2013

O nono dígito e a nossa teimosia

Atualizado dia 10/04/2016.

A dificuldade que as pessoas têm para aceitar o nono dígito em seus celulares mostra que muitas vezes gastamos mais energia tentando evitar o inevitável do que nos adaptando às novidades.

Como todos os brasileiros já devem estar sabendo, nossos celulares estão ganhando um 9ª dígito no início do número: o 9. Se o número de alguém era:

(19) 8765-4321

Agora é:

(19) 987654321

É uma mudança inevitável. Muita gente tem 2, 3, 4 chips para aproveitar todas as promoções e falar barato com todo mundo. Não é preciso ser nenhum gênio em análise combinatória para notar que as opções com 8 dígitos estavam para se esgotar, principalmente em cidades muito populosas, como São Paulo.

Mas é engraçado ver que as pessoas se embananam. Na hora de pronunciar o número do próprio telefone, muitos ainda sofrem para dizer:

9-87-65-43-21

Os mais apressadinhos:

9-8765-4321

Ou seja: falam o nove separadamente - para se livrar logo desse incômodo - e continuam pronunciando o restante de dois em dois ou de quatro em quatro. Mas se realmente tivesse incorporado a mudança, a pessoa pronunciaria assim:

987-654-321

O dígito nove não é uma visita chata que veio sem avisar. Ele agora faz parte da família. Ele estará sempre no seu número. São nove e pronto. Por isso o ideal, para pronunciar ou memorizar, é de três em três, como no CPF.

Se seu celular ganhou o nono dígito e você ainda tem dificuldade para pronunciar de três em três:

  1. Escreva o número de seu celular, tanto faz se no papel ou no notepad.
  2. Adicione o nove.
  3. Divida em três grupos de três.
  4. Reescreva e pronuncie em voz alta até memorizar.
  5. Faça o mesmo com todos os outros números de celular que você sabe de cabeça.

Garanto que você vai sofrer bem menos quando incorporar de verdade os nove dígitos. Vai perder bem menos energia do que tentando "encaixar" o nove em uma sequência de oito.

Leia também:

O que não tem remédio remediado está.

Ditado popular

E assim ocorre em vários aspectos da vida. Ao invés de nos adaptarmos completamente a uma mudança que é definitiva, fingimos que ela é temporária e acabamos sofrendo mais.

Queda do poder aquisitivo

Isso aconteceu comigo e concordo que é difícil demais. Mas não adianta se iludir. Se você percebe que seu salário não acompanhou a inflação, por exemplo, não adianta acreditar que de uma hora para outra seu patrão vai ficar bonzinho e dar o reajuste que você merece. Nem que vai conseguir da noite para o dia um emprego que dê conta de seu custo de vida.

Quanto mais cedo você encarar a realidade e adaptar seu estilo de vida ao seu salário líquido, menos você vai sofrer.

Desde 2010 trabalho no mesmo órgão público e desde então meu poder de compra caiu MUITO. De lá pra cá já cancelei TV à cabo, parei de fazer cursinho, parei de comprar perfumes caros, parei de pagar faxina todo mês, parei de fazer compras em sites do exterior, cancelei cartão de crédito, parei de prestar concursos fora de Goiás, parei de ir a peças e shows que custam mais de R$ 20,00 e parei de comer camarão toda semana, só para citar alguns exemplos.

Serenidade para aceitar as coisas que não podemos mudar. Coragem para aquelas que podemos. E sabedoria para distinguir umas das outras.

Autor desconhecido

Pode parecer drástico citando assim, mas acredite: foi muito melhor abrir mão dessas coisas do que continuar com elas e ficar com saldo negativo no banco todo mês.

A maioria das pessoas não aceita quando o poder aquisitivo diminui: continua tendo o mesmo padrão de vida e com isso vai acumulando dívidas.

Se o seu poder de compra diminuiu, enfrente o problema o mais rápido possível cortando despesas que não são essenciais. Além de ficar aliviado, vai notar que é bem melhor ser feliz com pouco e sem dívidas do que satisfazer prazeres pelos quais você não pode mais pagar.

Mudanças de procedimento na empresa

Uma forma de saber quem ainda trabalha como gente e quem virou robô é simplificar algum procedimento na empresa. Quem gosta de novidade aprende e assimila rápido; quem gosta de mesmice vai ter uma dificuldade tremenda para se adaptar, mesmo sabendo que o novo método é mais simples. Os robôs vão continuar executando dez passos diferentes, mesmo sabendo que agora bastam cinco.

Onde trabalho há muitos robôs. São pessoas que aposentaram o cérebro depois que conseguiram um cargo ou emprego público. Tem gente lá realizando procedimento de 1900 e guaraná com rolha que atualmente não serve pra nada.

Apesar de notar que essas pessoas não se esforçam o bastante, também percebo que eles sofrem quando olham ao redor e veem que estão totalmente defasadas. Tenho certeza de que elas estariam mais felizes no trabalho se tivessem encarado cada mudança no momento exato em que ela surgiu. Talvez agora seja tarde demais.

Fim de um relacionamento

Não é segredo pra ninguém que superam mais rápido o fim de um relacionamento aqueles que aceitam e abraçam a solteirice e a volta do tempo livre. A mulher que fica solteira, por exemplo, não fica abatida se aproveitar o tempo livre para ler mais, viajar com os amigos, ficar com a família, fazer tratamentos de beleza e tantas outras coisas para às quais não tinha horário durante o relacionamento.

Quem fica repetindo o mesmo comportamento, frequentando os mesmos lugares, fazendo os mesmos programas que fazia com o companheiro na verdade está alimentando a ilusão de que uma hora a pessoa vai voltar. Mas não vai. Se acontecer, que seja tudo novo, mesmo que de novo.

Esses são apenas alguns exemplos. Mas é bom ficar sempre de olho aberto porque a fila anda e se a gente não notar, perde o lugar.

Atenção! Tudo é perigoso. Tudo é divino maravilhoso. (…) É preciso estar atento e forte. Não temos tempo de temer a morte.

Caetano Veloso e Gilberto Gil

Até mais!

Fotos: Veja, Como fazer grátis,
Chivalry e Carola Montoro

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