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sexta-feira, 18 de outubro de 2013

Um tiro no meio da testa

Um poema romântico, suave e fictício.

Um tiro no meio da testa
No meio da testa eu queria dar
Já que Amma e Polícias
Não querem me ajudar

O tal do som automotivo
Me irrita, me dá nos nervos
Parece mais um martelo
Machucando meu corpo inteiro

Não sinto só na cabeça
Não sinto só nos ouvidos
Minhas vísceras e ossos tremem
Com o barulho, esses zumbidos

Não consigo ver minhas séries
Ler, dormir, estudar
Não consigo fazer mesmo nada
E amanhã cedo vou trabalhar

Várias vezes pedi educada
Que diminuísse esse som tão grave
Mas fui até agredida
Pro meu sossego isso é um entrave

Tenho vários protocolos
E já registrei TCO
Mas na audiência conciliatória
O moço mentiu sem ter dó

Já contei na delegacia
Que o acordo desandou
A delegada registraria
Mas a greve ainda não acabou

Além de ter que esperar
Precisarei de testemunhas
Mas contra suposto traficante
Quase ninguém coaduna

Por isso um tiro na testa
Um tiro na testa eu queria dar
Na testa do barulhento
Para sempre o silenciar

E morte de supetão
Para o bolso também é surpresa
Para comprar o caixão
Venderiam o carro, oh, que beleza!

Helen Fernanda

Qualquer semelhança com fatos reais é mera licença poética.

Imagem: caixão do Michael Jackson, que não tem nada a ver com a história. Só uma foto bonita para ilustrar tão poético post.

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