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segunda-feira, 16 de dezembro de 2013

Declarar religião que não pratica prejudica a liberdade religiosa

Pense duas vezes antes de declarar uma religião que você não tem ou não pratica. Quando você faz isso não está apenas mentindo e distorcendo as estatísticas, mas também pode estar piorando a situação das minorias religiosas, já que "esmagadas pelos números" elas ficam sem chance alguma de ter representação.

Você pode até achar que os números não são importantes, o que importa é a fé, mas é por causa deles (os números) que o exército brasileiro costuma contratar padres e pastores ao invés de rabinos e líderes islâmicos; é por causa dos números que a maioria dos hospitais do país têm capelas católicas mas não têm templos budistas; é por causa dos números que em algumas cidades do Brasil prédios públicos ainda são inaugurados com missa e não com culto Quaker.

É claro que essa situação não vai mudar radicalmente de um censo para outro, mas quando as pessoas se assumirem a verdade será revelada: o Brasil não tem tantos católicos assim e a diversidade de crenças no país é muito maior do que parece.

Pratique a liberdade religiosa

Eu percebo que as pessoas se sentem impostas a afirmar alguma religião, como se não ter fosse crime ou algo assim. Não é! Se você não notou, liberdade religiosa inclui o direito de não ter religião e também o direito de não se declarar a respeito. Inclui o direito de mentir a própria religião? Talvez, mas quem faz isso está ajudando quem?

Se você se diz católico, por exemplo, mas não sabe o nome da paróquia mais próxima, não sabe rezar o Credo, não sente a consciência pesar quando pratica sexo antes ou fora do casamento, não sabe rezar o terço, não conhece as obras missionárias, nunca ouviu falar em Legião de Maria, nunca leu a Bíblia, não tem catecismo, comunga sem ter se confessado antes… você acha que está enganando quem?

Não seria mais honesto com você e com o mundo afirmar que não tem religião? Ou então procurar conhecer e praticar a religião que você afirma?

Vale lembrar ainda que quando o não-católico afirma ser um, só ajuda a reforçar a estatística da maior religião do país. Pouca gente nota, mas isso impede que outras pessoas não-católicas tenham mais voz e representação na sociedade. Não é o cúmulo da falta de inteligência ajudar quem vai te oprimir? Ou seria masoquismo?

A cultura católica

Basta morar no Brasil para fazer parte da cultura cristã católica. Mesmo que você seja xintoísta, morando no Brasil você não consegue descontar cheque no dia 12 de outubro, não pode dirigir em certas ruas no dia de Corpus Christi, vai ouvir barulho de rojão no dia do padroeiro da cidade, vai ser convidado a participar de trocas de presentes no Natal e na Páscoa vai ter alguém te amolando pedindo chocolate. Isso é estar inserido na cultura católica por mera questão geográfica.

Da mesma forma, quem mora em Israel vive a cultura judaica, quem mora na Índia de alguma forma faz parte da cultura hindu. Outra coisa, bem diferente, é você assumir uma religião e passar a praticá-la. Estar inserido em uma cultura não implica que o credo predominante é o melhor pra você.

Descubra outras religiões

Se você sente necessidade de pertencer a uma denominação, mas não pratica a que afirma ter, a dica é pesquisar até descobrir alguma com a qual você se identifique e que vai fazer bem pra você. Sei que muita gente reluta em fazer isso porque tem medo da reação da família, mas não se esqueça que sua vida é inédita, não vai ter reprise e só você tem o poder de buscar a satisfação de suas necessidades espirituais. Ninguém consegue fazer isso por você, ninguém mesmo.

Além das religiões cristãs, existem as monoteístas não-cristãs, as politeístas e até religiões que não estão preocupadas em afirmar ou negar a existência de Deus.

Muita gente também se identifica com as filosofias orientais que não são religiões (só que sim), como budismo, confucionismo e Seicho-No-Ie.

Vale lembrar também que para conhecer uma religião, pelo tempo que precisar, não é preciso assinar nenhum contrato. Você não será obrigado a assumir um compromisso antes de realmente estar decidido e preparado.

E se você ainda tem preconceito e acha que só gente estranha escolhe religiões diferentes ou minoritárias, por favor, evolua! Tenho parentes, amigos e conhecidos que praticam ou frequentam Seicho-No-Ie, Santo Daime, Budismo, Umbanda, Igreja dos Santos dos Últimos Dias (mórmons), Wicca e se essas pessoas são estranhas em alguma coisa é só porque são bem mais felizes do que a média, nada mais.

Medo de perseguição religiosa

Uma coisa é sofrer perseguição religiosa, outra coisa é ter que aguentar gente com cérebro de galinha que começa a cocoricar quando encontra alguém diferente. Tem certeza de que você tem medo de perseguição religiosa ou só dos humanos que vão cocoricar?

Seja honesto e incentive

Se você - que tem acesso à internet, consegue ler texto com mais de uma linha e se interessa por liberdade religiosa - sente vergonha de afirmar sua religião ou a falta dela, o que esperar da maioria da população brasileira, que é menos esclarecida e mais vulnerável a superstições e preconceitos?

Acredito que essa mudança de hábito tem que começar com quem tem consciência do quanto pode ser perigoso "engrossar o caldo" de uma maioria opressora sem pertencer de verdade a ela.

Minha opinião não mudou

Minha teoria sobre isso é a mesma desde que me entendo por gente. Ainda criança eu defendia que as pessoas devem escolher a religião que as façam bem. Quis fazer este post inúmeras vezes quando eu era católica praticante, mas agora que sou ateia ficou mais fácil assumir esse meu posicionamento sobre a hipocrisia religiosa dos brasileiros, principalmente os pseudo-católicos.

Até mais!

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