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quarta-feira, 22 de outubro de 2014

▶ #Goiania81anos: te amo, mas nunca te quis

Avenida Goiás, Centro. Foto: Rodrigo Urzeda

Em 2010 fiz um post parabenizando Brasília pelos 50 anos e contando sobre minha relação com a cidade. Desde então sinto que devo o mesmo para Goiânia. Devia. Nesta sexta-feira, dia 24 de outubro de 2014, Goiânia completa 81 anos e vou aproveitar a deixa para falar um pouco sobre o que sinto pela capital goiana depois de quase 30 anos de relacionamento.

No post de quatro anos atrás, escrevi isso:

(…) também amo Goiânia, amo as pessoas de Goiânia, amo minha família em Goiânia, amo meu trabalho em Goiânia, amo os parques de Goiânia… Esse amor é recíproco, Goiânia é a cidade onde realmente me sinto amada pelas pessoas. Tenho plena consciência de que não vou sentir algo parecido em lugar nenhum do mundo (…)

Quando leio isso hoje tenho a sensação de que em 2010 eu estava com Síndrome de Estocolmo e comecei a nutrir sentimentos por quem estava me agredindo:

Síndrome de Estocolmo (Stockholmssyndromet em sueco) é o nome dado a um estado psicológico particular em que uma pessoa, submetida a um tempo prolongado de intimidação, passa a ter simpatia e até mesmo sentimento de amor ou amizade perante o seu agressor.

Tá, tô exagerando. Não é tão ruim assim.

Meu amor pelo trabalho em Goiânia não mudou, só o endereço. Em agosto de 2010 tomei posse em meu primeiro cargo público e passei a amar ainda mais meu lindo e estável trabalho, conquistado depois de anos de estudos.

Continuo amando os parques de Goiânia, sem dúvida. Quem não?

Bosque Bougainville, Parque das Laranjeiras. Foto: Prefeitura de Goiânia.

Goiânia não é mais a cidade onde me sinto mais amada pelas pessoas e isso se deve a dois fatores principais. O primeiro é que agora meu pai mora em Brasília, então grande parte do amor que recebo está lá, onde também moram outros familiares e parentes queridos.

O segundo motivo foi eu ter parado de frequentar a Igreja Católica alguns meses após me descobrir ateia. Foi honesto e libertador ter feito isso, mas tudo tem seu preço: perdi contato com muitas pessoas queridas da RCC, da Arquidiocese e, principalmente, das paróquias que frequentei.

Pelos mesmos motivos, meu amor pelas pessoas de Goiânia também não é mais o mesmo. Fora minha mãe e meu irmão, não me lembro de ninguém que eu realmente ame aqui. #foreveralone Tenho certeza de que se um dia os dois forem para outra cidade, meus motivos para ficar aqui - que já não são muitos - vão embora com eles.

Também estou desconectada da vida cultural de Goiânia, da qual eu adorava fazer parte. Os motivos são vários como medo da violência, falta de dinheiro e foco nos estudos, mas o maior deles é a falta de vontade mesmo. Ando sem tesão pela cidade, se é que você me entende.

Para não falar que não gosto de nada além do meu trabalho e dos parques, também gosto dos preços de Goiânia, principalmente de comida, cosméticos e de roupas femininas. São menos injustos do que em outras capitais do Brasil, mas para aguentar esse calor acho que justos mesmo seriam os preços de Miami. Até os preços de Nova Iorque seriam mais justos. #paragrafocoxinha #classemediasofre #vamostodospramiami

E destesto cada vez mais o clima quente e seco que a cada ano está mais quente e mais seco.

Pouco amor, pouco tesão, muito desconforto. Minha relação com Goiânia está capengando.

Não me entendam mal. Sou grata aos meus pais por terem me criado aqui. Considerando a minha aversão a calor e a fofocas sobre a vida alheia, eu seria bem menos feliz em Goianésia/GO (cidade da minha mãe) ou em Altamira/SP (cidade do meu pai).

Mas se eu não precisasse "bater ponto" para me sustentar, e ainda assim tivesse que morar no Brasil, provavelmente eu moraria em Florianópolis, Balneário Camboriú/SC, Gramado/RS ou alguma outra cidadezinha agradável do Sul. #frasecoxinha #classemediasofre #vamostodosparaosul

E como escolhi ser servidora pública, por amor e vocação, o jeito é continuar estudando e tentar voltar para onde eu quero.

Mas por ter me aguentado durante quase três décadas reclamando de tudo e ainda assim ter me propiciado momentos maravilhosos como a aprovação no vestibular (2002), a mudança para morar sozinha (2008) e a posse em um cargo público (2010), Goiânia merece meu respeito, minhas considerações e meu carinho:

Parabéns, Goiânia, sua linda!

Te amo, viu? Não te quero, nunca te quis, quero me livrar de você, mas ainda assim te amo.

Ah! E os vídeos são do grupo Heróis de Botequim, outra coisa aqui em Goiânia que aprecio bastante.

Tem mais aniversário de Goiânia em blogs:

Goiânia 81 anos - Leis municipais sobre direito do consumidor
O blog Atualidades Jurídicas fez um post muito útil com várias leis municipais com vários direitos que nunca reclamamos pelo simples fato de que não sabemos tê-los. Vale a pena ler, favoritar, compartilhar, salvar no Evernote, etc.
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