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segunda-feira, 8 de junho de 2015

8 falsas hipóteses sobre eu ter me assumido ateia

Quando digo que sou ateia, muitas pessoas não conseguem ouvir, aceitar e ponto final. Como fui católica praticante até 5 anos atrás, tem gente que fica me especulando achando que vai descobrir algum "motivo oculto" para a descrença. Como não encontram, acabam elaborando hipóteses que acho engraçadas:

1. Sofri uma grande decepção na Igreja

Não, não sofri. É verdade que o padre da paróquia que eu frequentei mais tempo era um <desabafo> puto cachaceiro estúpido que me fez chorar várias vezes com sua arrogância, então eu tinha muita vontade de matá-lo. Para piorar, esse pseudo-sacerdote começou a dar em cima da minha irmã pela internet quando ela ainda era adolescente. Apesar de tudo isso, garanto que não foi esse imbecil </desabafo> que me fez desacreditar em deus, tanto que ainda cheguei a frequentar outras paróquias depois dessa.

E vale citar também que, ao contrário do que os católicos não praticantes acham, na maioria das paróquias os esteios que mantêm a comunidade participativa e animada são os próprios fiéis leigos praticantes, raramente são os padres.

2. Sofri uma grande decepção com deus

O que eu perdi foi a fé em deus, não o raciocínio lógico. Como eu poderia me decepcionar com um ser fictício?

3. Sofri uma grande decepção na vida

Nem isso. Perceber e assumir que eu não acreditava mais em deus foi um processo racional, não emocional nem sentimental.

4. Não adoro mais deus porque adoro o capeta

Nunca acreditei na existência do capeta, nem quando era católica praticante. Não adoro mais deus porque não acredito que ele exista, não porque passei a idolatrar outra coisa.

5. Não admiro mais Jesus e os santos católicos

Ao contrário. Desacreditar em deus me faz admirar ainda mais seres humanos incríveis como Madre Teresa de Calcutá, Irmã Dulce, Jesus Cristo, São Francisco de Assis, São Paulo, etc.

6. Não sigo mais os ensinamentos de Jesus e da bíblia

Como ateia, muita coisa que está nos evangelhos não faz mais sentido pra mim, mas alguns ensinamentos que os evangelistas atribuíram a Jesus sem dúvida continuarão me guiando, principalmente os que falam sobre amar o próximo, não julgar o próximo, tratar o próximo como gostaria de ser tratado, dentre outros.

E os demais livros do novo testamento, escritos por Paulo, João, Pedro, Judas, Tiago também têm muitas dicas legais sobre humildade, paciência, perseverança… Ensinamentos que servem em todos os momentos e empreendimentos da vida, não apenas para quem está instalando uma nova Igreja, como era o caso deles na época.

Quanto ao antigo testamento, há várias histórias nele que, mesmo fictícias para um ateu, ainda são interessantes. E também gosto dos Provérbios, do livro de Eclesiástico, de alguns trechos do Cântico dos Cânticos.

Mesmo sem inspiração divina, a bíblia ainda é uma boa coletânea de livros. Aliás, saber que são textos 100% humanos torna tudo ainda melhor.

7. Não acredito mais em deus porque quero viver em pecado

Desde que me assumi ateia, perdi um pouco a noção do que vocês chamam de pecado, mas se eu estiver praticando algum garanto que não envolve sexo, dinheiro, comida, violência, exploração, álcool, tabaco nem drogas ilícitas.

8. Na verdade sou agnóstica, não ateia

Para ser agnóstica eu deveria cogitar que a existência de deus é uma possibilidade, mas não é o caso. Eu creio que deus, curupira, sereia, papai noel e saci-pererê não existem. Sinto muito, amiguinho.


Essas são as principais hipóteses que já me apresentaram nos últimos cinco anos, mas se eu me lembrar de mais algumas faço outro post.

Até mais!

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