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domingo, 29 de novembro de 2015

Por que o fim da TV analógica em Rio Verde foi adiado?

Foto: Ministério das Comunicações

A resposta matemática é a seguinte: apenas 69% dos lares de Rio Verde já migraram para a TV digital. Para o desligamento do sinal analógico acontecer, essa porcentagem deveria ser de 93%, taxa que considero altíssima e desnecessária, como já contei em outro post. Mas vamos falar um pouco mais sobre o que está por trás disso.

De um lado temos, é claro, as próprias emissoras comerciais de TV aberta, que sabem que podem perder audiência com o desligamento. Consequentemente, perderiam anunciantes, dinheiro e aí começaria todo aquele terror psicológico de ter que demitir pessoal e blá, blá, blá. São elas que pressionam o governo federal a checar essa porcentagem alta antes do desligamento.

E vale lembrar que, especificamente em Rio Verde, temos o atraso de três emissoras que ainda não inauguraram o sinal digital: Band (TV Goiânia), Record (TV Sucesso) e Esporte Interativo. Como também trabalho em emissora de televisão, não tenho a menor dúvida de que pelo menos duas dessas emissoras ficaram "em cima" fiscalizando tudo e exigindo que a taxa de 93% fosse atingida antes do desligamento.

Mas o governo federal está sendo pressionado de outro lado também: as empresas de telefonia celular querem que o desligamento do sinal analógico ocorra o mais cedo possível. Elas vão usar algumas frequências liberadas pela TV VHF para ampliar a cobertura de internet 4G. Resumindo: um lado não quer perder dinheiro e por isso quer manter o sinal analógico o máximo de tempo possível; o outro lado quer quer que o sinal analógico seja logo desligado para ganhar mais dinheiro.

E já que está sendo espremido, o governo federal não deveria ceder para nenhum dos dois. Mas essa taxa de 93% está muito alta, então acho que a balança está pendendo para as emissoras de TV. Com o adiamento em Rio Verde, alguma equipe provavelmente já está revendo a necessidade dessa porcentagem. Sabemos muito bem que ninguém morre sem TV aberta. E, nos dias de hoje, ninguém sequer sofre sem TV aberta. Na verdade até vivemos melhor sem ela, como já conversamos em outros posts:

Lembrando que Rio Verde é só um piloto. Se ainda não conseguiram levar o sinal digital a quase todos os lares de uma cidade compacta e com pouco mais de 200 mil habitantes, não é difícil supor que será ainda mais difícil conseguir o mesmo em uma região espalhada e extremamente desigual, como é a Grande Brasília, que além do Distrito Federal inclui as cidades goianas do entorno, somando mais de 3 milhões de habitantes.

Enquanto a porcentagem não é mudada, estão dando jeitinhos. Para chegar a uma taxa mais alta em Rio Verde, o próprio governo federal adotou um critério mais óbvio e realista: incluir como aptas as casas que têm TV por assinatura, já que elas recebem o sinal dos canais abertos via satélite ou cabo, não dependendo do sinal terrestre.

Um raciocínio consequente desse seria incluir as pessoas que têm parabólica e recebem gratuitamente as emissoras abertas via satélite, já que o desligamento do sinal terrestre analógico também não vai impedir essas famílias de assistirem TV.

E como aparelhos aptos a receber a TV digital, espero que sejam considerados também:

  • monitores de computador que podem receber conexão de TV;
  • tablets e smartphones com receptor de TV embutido;
  • computadores que têm adaptador USB para antena de TV.

Mas não é só isso. Sugiro algo ainda mais ousado, mas ainda realista: incluir como apta pessoas que têm internet banda larga em casa e podem assistir aos programas de TV, inclusive telejornais locais, nos sites das emissoras, ao vivo ou não.

Você acha que o governo deve atrasar o desligamento do sinal analógico por causa de famílias que não têm televisor digital e antena UHF em casa, mas têm no mínimo 15 Mb/s de internet e computador/tablet/smartphone para assistir vídeos na Globo Play, no YouTube, no G1, no R7? Eu acho que não. Aliás, esse é um exemplo perfeito de família com a qual o governo não precisa se preocupar antes do apagão analógico.

E mesmo assim, a taxa de 93% ainda seria muito alta. Com todas as exceções que citei acima, 75% de adesão estaria de bom tamanho. Seria o suficiente para desligar o sinal analógico sem grandes traumas. O máximo que poderia acontecer seria voltarmos a ter nas cidades um hábito dos anos 70: pessoas sem TV em casa visitavam o vizinho que tinha TV para assistir a novela. Sabe que seria até bonito unirmos as pessoas assim novamente?

Ainda tem dúvidas sobre o assunto? Continue se informando nos artigos:

Até mais!

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