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quarta-feira, 11 de maio de 2016

🚘 Minha experiência com Uber em Goiânia

Foto: Mantovani Fernandes | Portal do Servidor

Não tenho carro e até hoje não consegui juntar dinheiro para pagar autoescola e tirar CNH. Na maior parte do tempo, me desloco a pé ou de bicicleta, já que moro e trabalho na mesma região onde também mora a minha mãe. Quando preciso resolver alguma coisa em bairro distante durante o dia, uso ônibus. À noite e quando preciso me locomover com malas ou muitas sacolas, uso táxi. Agora também Uber.

Aviso desde já que todo o post é sobre o tal do Uber X porque é o serviço disponível aqui. Não conheço a(s) outra(s) modalidade(s), então não posso falar das diferenças.

  1. Minhas tentativas de usar Uber
  2. Quando finalmente andei de Uber
  3. Por que o Uber não substitui o táxi?
  4. Sobre a regulamentação

1. Minhas tentativas de usar Uber

Minha primeira tentativa de usar Uber foi no dia 05 de março, após o show do Almir Sater no Teatro Rio Vermelho, no Centro de Goiânia. Geralmente não tenho problema para usar ônibus à noite, mas já passava das 23 horas e eu não quis me arriscar no ponto de ônibus sabendo que poderia nem passar condução para meu bairro mais. Sem falar que, ao chegar ao meu bairro, eu ainda teria que andar um quilômetro para chegar em casa.

Ao sair do teatro, vi que várias pessoas estavam em pé na calçada chamando carros pelo Uber, então me lembrei que tinha o aplicativo instalado e fiz o mesmo.

Mas tive dificuldade para usar o aplicativo, pesado demais para o meu humilde modelo de celular com apenas 512 MB de RAM. Ficava travando e eu não tinha muita certeza se já tinha chamado ou não, se tinha colocado a localização correta ou não. Foi atrapalhado o negócio.

Quando apareceu a mensagem de que o carro estava vindo, fiquei acompanhando o trajeto, até que notei, no mapa, que o carro estacionou em outra rua, diferente daquela onde eu estava. Tentei contato com o motorista, mas ele não atendeu. Ele ficou lá parado um tempo e eu não consegui chegar lá, porque estava longe e eu também não conseguia identificar qual rua era. Até que ele cancelou a viagem, que tinha valor estimado entre R$ 15 e R$ 20.

Tentei chamar outro carro, mas o aplicativo realmente não estava rodando bem no meu aparelho. Fiz o que eu já estava acostumada a fazer antes do Uber, antes do smartphone: liguei para a Coopertáxi - a cooperativa que eu costumo usar - e pedi um táxi que passasse cartão de crédito. Quando cheguei em casa, no Jardim Vitória, paguei R$ 45,39. E os R$ 6,00 do Uber também foram debitados no meu cartão.

Felizmente consegui resolver a questão dos R$ 6,00. Abri um pedido dentro do próprio aplicativo avisando que a viagem tinha sido cancelada pelo motorista que sequer tinha chegado à rua correta. Os R$ 6,00 voltaram em forma de bônus para usar no próprio aplicativo. Isso me "forçou" a continuar tentando usar o Uber. No começo fiquei contrariada, mas quando consegui recuperar esse crédito em viagem achei muito bom.

Usei táxi várias vezes depois desse dia, principalmente por causa da limitação técnica do meu celular. No dia 1º de maio, por exemplo, meu celular travou totalmente quando tentei pedir o Uber para ir ao aeroporto, quase me atrasei para o voo. Desisti e chamei o táxi. No taxímetro a viagem deu R$ 59. Eu ia pagar com cartão, mas como eu tinha uma nota de R$ 50, consegui R$ 9 de desconto pagando em dinheiro.

No dia 5 de maio, quando voltei de viagem, tentei pedir o Uber no aeroporto e descobri que não era permitido. O dia estava quente e ensolarado, não tive ânimo de andar uma quadra com mala só para pedir o carro, acabei pegando o primeiro táxi que parou no ponto. E paguei com dinheiro de novo, mas desta vez não pedi desconto. E também não me lembro o valor exato. Alguma coisa entre R$ 50 e R$ 60.

2. Quando finalmente andei de Uber

Só consegui usar Uber quando finalmente aceitei o fato de que ele não funciona no meu celular. Desinstalei. Coloquei no tablet. Aí sim rodou macio. Para continuar usando o aplicativo fora de casa, conecto o celular à internet 3g e conecto o tablet à internet do celular.

  • Meu celular: Smartphone Samsung Galaxy Young Duos (SM-G130BU) com Android 4.4.4
  • Meu tablet: Samsung Galaxy Tab E com Android 4.4.4

Usei Uber nos dias 07 e 10 de maio, indo e voltando da rodoviária de Goiânia. Cada viagem, que incluía uma passagem pelo Parque Atheneu para buscar/deixar minha mãe, ficou por menos de R$ 32, sendo que geralmente pago entre R$ 50 e R$ 60 para chegar à rodoviária de táxi indo direto da minha casa.

E eu não cheguei a pagar o valor inteiro de nenhuma das duas viagens porque tinha o bônus de R$ 6 e vários outros bônus de R$ 20 por ter divulgado o código promocional ee7b5a8eue.

Minha mãe aproveitou bastante o serviço: chupou balinha de café em uma viagem, tomou água na outra e gostou muito de me ver economizando dinheiro (toda mãe gosta de ver os filhos economizando dinheiro). Ela também aprovou o Uber ou pelo menos as duas viagens que fizemos.

Mas nem tudo é perfeito. Não sei se o problema é comigo ou com os motoristas, mas eles sempre param a uma ou duas quadras do local onde estou. Eu já saquei que é preciso arrastar o mapa para colocar a localização exata de onde estou, mas ainda não está batendo.

Quando fui para a rodoviária foi mais simples. Como minha rua é residencial e pacata, foi fácil ver quando o carro do Uber parou a uma quadra de distância da minha casa. Fiquei pulando na rua, praticamente fazendo polichinelo, até que ele me viu e voltou para me pegar.

Quando estávamos voltando da rodoviária, foi tenso. Escolhi ir para a Avenida Goiás porque é menos congestionada que a Rua 44, mas ainda assim tinha carro e gente demais. O motorista não nos encontrou e foi gentil o bastante para me ligar e perguntar onde eu estava. Avisei que estava em frente ao shopping Estação Goiânia. Ele foi lá e nos buscou. Tive bastante sorte porque a bateria do meu celular acabou assim que terminou a ligação.

Minha primeira sugestão para o Uber é avisar a cor do carro no aplicativo. Nessa última viagem, por exemplo, o carro era vermelho e eu estava achando que ia aparecer um carro preto. Também sugiro um espaço para digitar texto, assim a gente pode complementar a localização do mapa com alguma informação que vá ajudar. Se você disser, por exemplo, que está com camisa laranja segurando uma mala rosa pink, vai ficar bem mais fácil para o motorista achar você em um lugar muito cheio.

3. O Uber não substitui o táxi

Como em todo fim de monopólio, no início os taxistas sentem o impacto e perdem viagens porque têm que compartilhar clientela com os motoristas do Uber. Mas isso não significa que o táxi vai acabar. As características que tornam o Uber tão popular e fácil de usar também são limitações técnicas em determinadas situações e para determinadas pessoas.

Algumas vantagens do táxi:

  1. Dá para chamar táxi se você estiver sem internet, Uber não.
  2. Dá para chamar táxi se você estiver sem celular, mas ainda tiver um telefone fixo por perto, Uber não.
  3. Dá para chamar táxi se você tiver um celular simples, que não seja smartphone, Uber não.
  4. Dá para chamar táxi se seu smartphone não roda o aplicativo, Uber não.
  5. Dá para chamar táxi acenando com a mão se passar um por você, Uber não.
  6. Dá para pegar táxi em um bairro comercial ou turístico que tenha ponto de táxi, Uber não.
  7. Dá para pagar táxi com dinheiro em espécie, Uber não.
  8. Dá para pagar táxi com cartão de débito, Uber não.
  9. Dá para pagar táxi se você não tiver dinheiro nem cartão com você, mas o dinheiro/cartão estiver no caminho ou no lugar de destino, Uber não.
  10. O táxi não te cobra R$ 6,00 quando cancela a viagem, Uber sim.

Ou seja, em algumas situações, a gente ainda vai implorar por um táxi.

Taxistas, não chorem. Vocês ainda nos são indispensáveis.

4. Sobre a regulamentação

Sou a favor de que a prefeitura regulamente e autorize serviços de transporte particular como o Uber, registre os motoristas e cobre impostos, já que todos os demais trabalhadores autônomos do transporte também pagam. Mas a forma como são liberadas novas permissões para taxistas em Goiânia também precisa ser revista. Eles pagam muito caro para oferecer um serviço complementar que atende as classes que podem pagar por ele e também faz um "favorzão" para a prefeitura: evita que os turistas mais abastados descubram o quanto o nosso transporte coletivo é precário.

Creio que podemos chegar a uma situação mais justa para todas as partes: motoristas do Uber, taxistas, prefeitura e usuários do transporte particular. Seria inteligente se taxistas e motoristas de Uber se unissem para modernizar a legislação do município. Se chegarmos a esse nível de prudência, civilidade e cooperação vamos ser exemplo para outras cidades do Brasil onde o clima é de guerra.

Leia também:

Até mais!

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