domingo, 25 de junho de 2017

📺 TV aberta | Dos 18 canais de Goiânia, 10 são cristãos

Acredito que muitos pesquisadores de comunicação e audiovisual de todo o Brasil já estão escrevendo artigos e monografias sobre esse assunto.

Mas, para nosso alívio, não estou escrevendo texto acadêmico, então aqui não tem citação. É tudo fato, opinião e futurologia mesmo.

🕯 Os números

Esta é a parte informativa do post. Apenas fatos.

Como Goiânia já se livrou dos canais analógicos, neste post estou falando sobre os canais digitais.

De acordo com o site Line-UP, atualizado por vários goianienses interessados em TV aberta, inclusive eu, Goiânia tem hoje (24.jun.2017) dezoito (18) canais em funcionamento. Nove (9) desses canais são religiosos, mas ainda temos a Record, que é da Igreja Universal e tem aquela programação exótica que mistura fofocas, reality shows sensacionalistas, novelas bíblícas e pregações de pastores no meio dos telejornais.

Dentre os canais católicos de Goiânia, temos duas retransmissoras: Canção Nova (49.1) e Rede Vida (59.1). Os dois canais estão em alta definição. Já a TV Aparecida chegou a Goiânia por meio de uma afiliada: PUC TV (24.1), que também está transmitindo em HD. O canal goianiense 32.1 (TV Capital - Luz da Vida) ainda não está em alta definição. Bem diferente de quando eu era católica, hoje quem busca esse tipo de programação na TV aberta de Goiânia não tem do que reclamar porque a todo horário pelo menos um dos quatro canais vai ter um programa interessante para esse segmento.

Já entre os canais evangélicos (ou protestantes) que pegam em Goiânia, a Fonte TV (5.1), a RCI (29.1) e a RIT (42.1) já estão em HD. Outras duas emissoras, Rede 21 - TV Universal (35.1) e TV Novo Tempo (51.1), ainda não estão em alta definição.

Além desses dez (10) canais cristãos que estão no ar, já estão autorizadas a funcionar na cidade as seguintes emissoras católicas: Rede Gênesis - Boas Novas (45.1) e TV8 - Século 21 (46.1). A Ideal TV, outra afiliada da TV Universal, pode começar a qualquer momento no canal 48.1.

🕯 Pouca diversidade

Como podem notar, apesar de serem muitas emissoras religiosas, nenhuma delas é espírita e muito menos de denominação não-cristã. Logo, apesar de serem canais segmentados, são "segmentos predominantes" na faixa da população que ainda tem tempo de assistir TV aberta.

🕯 O público-alvo

Cristãos de várias denominações podem se beneficiar desses canais, mas a maioria não tem tempo para assistir TV ou divide o tempo da TV com muitos outros conteúdos como Snapchat, Instagram Stories, vídeos do Facebook, YouTube, filmes, séries… Logo, não há dúvidas de que só existem tantos canais assim por causa do crescimento da população de idosos(as) aposentados(as).

Grande parte dos(as) idosos(as) brasileiros(as) conserva a religiosidade, herdada dos pais, e o hábito de ver TV, que aprenderam com os filhos. E, com exceção daqueles canais em que o pastor fica berrando, os canais religiosos geralmente oferecem conteúdo zen, otimista e com tom de voz agradável. Ótimo som de background para quem já se estressou demais assistindo as tragédias da vida.

Logo, essa onda de canais religiosos tende a crescer ainda durante as próximas décadas, acompanhando a diversidade religiosa de cada geração.

🕯 O auge

Aqui minha análise é quase óbvia e acho que a maioria vai conseguir acompanhar meu raciocínio.

Tenho 31 anos e há cerca de seis (6) anos me descobri ateia, mas reconheço que a maioria dos goianienses da minha geração ainda é muito religiosa ou supersticiosa e assustadoramente intolerante com ateus. Como essas mesmas pessoas tendem a ficar ainda mais religiosas quando forem idosas, creio que alguns canais cristãos, aqueles que oferecem conteúdo agradável e de qualidade, ainda têm vida longa pela frente.

Isso não significa que mudanças não vão acontecer. Já considerando a diversidade da população adulta de Goiânia, nos próximos anos teremos pelo menos uma concessão para canal kardecista e não seria de se estranhar também algum canal budista ou seicho-no-ie.

Com adultos e idosos cada vez mais esclarecidos e escolarizados, canais em que pastores passam horas pedindo dinheiro - e dizendo quem vai para o céu, quem vai para o inferno -, vão perder relevância. Para manter audiência e anunciantes, os canais evangélicos precisarão investir mais em conteúdo informativo e interessante como já faz, por exemplo, a TV Novo Tempo.

Teremos também mais canais religiosos on-line nas próximas décadas, à medida em que a geração Y - que já tem o hábito de assistir TV pela internet - for envelhecendo. Como a internet facilita a segmentação, é provável que passemos a ter uma diversidade cada vez maior de canais religiosos brasileiros: islâmicos, judaicos, hindus… Será uma concorrência real com a TV aberta, como já acontece atualmente em outros segmentos.

🕯 A decadência

Agora vou brincar um pouco de futurologia, por isso muitos podem não entender ou concordar.

O fim dos canais abertos religiosos não será só culpa da internet.

Primeiramente, daqui a uns quinze (15) anos, o número de canais cristãos vai se estabilizar. Podem até surgir novos canais, mas outros vão deixar de existir ou migrar para a internet e o número de concessões desse tipo vai se manter o mesmo.

Daqui a uns trinta (30) anos, já teremos uma alta porcentagem de idosos ateus, agnósticos, não-religiosos ou que perderam o hábito de assistir televisão ainda na juventude. Isso sem dúvida vai influenciar bastante a audiência e a publicidade dos canais que ainda estiverem na TV aberta, não apenas os religiosos. Mais canais vão migrar para a internet para diminuir os custos de manutenção.

Daqui a cinquenta (50) anos, quando eu já tiver mais de oitenta (80), talvez nem exista TV aberta mais. Já teremos inventado uma forma de usar essas frequências para a internet das coisas ou algo assim. E os canais religiosos estarão todos na internet, cada um alcançado seu determinado segmento.

🕯 Considerações finais

Como vocês notaram, omiti dessa análise possíveis fraudes e crimes relacionados aos canais evangélicos porque não tenho condições de entrar nessa briga no momento. Já sou ré em São Paulo por denunciar fraude em um concurso público e acho que um processo por vez é suficiente.

Foi agradável pra mim escrever este texto porque foi um exercício de pensamento complexo sintetizado para se tornar público. Mas a ideia aqui não é trazer uma opinião definitiva e sim dar continuidade a esse diálogo sobre o presente e o futuro da TV aberta. E sabendo o que penso, sem dúvida você vai formular as suas próprias hipóteses. Compartilhe nos comentários ou deixei o link se escrever algum texto sobre isso.

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Até mais!

Foto: Pixabay

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