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terça-feira, 8 de julho de 2008

Fui para Trindade a pé e amei

Basílica do Divino Pai Eterno, Trindade, Goiás, Brasil
Juro que procurei uma foto da basílica iluminada a noite, mas nada!

No último sábado fui pela primeira vez de Goiânia a Trindade a pé. Também foi a primeira vez que fui à cidade durante a Festa do Divino Pai Eterno, maior evento católico da Arquidiocese de Goiânia e um dos maiores do Centro-Oeste.

Creio que nunca tinha ido por sentir ojeriza a eventos católicos que atraem um monte de gente hipócrita que se diz católico, mas só vai a festa para beber, cair e levantar. Trindade é uma cidade dormitório da Grande Goiânia, já que a maioria dos seus jovens e adultos têm que se deslocar diariamente para Goiânia para trabalhar e/ou estudar. Como a Zona Oeste de Goiânia está em franco crescimento, esta situação tende a mudar de forma que as duas cidades passem a ser cornubadas.

Decisão

Eu não tinha planejado ir. O meu pai ía sozinho, já estava até com a mochila pronta quando minha mãe disse que ía também. Se até a minha mãe, que não é mais católica e já quebrou os pés cinco vezes vai, o que é mesmo que vou ficar fazendo em casa sendo pentelhada pelo meu irmão. Então eu resolvi ir também, fomos os três. Não consigo nem imaginar o quanto minha mãe sofreu, ela reclamou muito de dor ao longo do caminho.

Romaria

Aqui em Goiânia, a tradicional romaria sai do Terminal Padre Pelágio e ocorre 24h por dia durante os dez dias de festa. Para mim a parte mais difícil foi sair do Parque Atheneu e "passear" em três ônibus para chegar a esse terminal. O último ônibus que peguei, o Eixo-Anhangüera, estava cheio de baderneiros, uma loucura, quase senti medo.

Ao longo dos vinte e poucos quilômetros da madrugada na Rodovia dos Romeiros (também chamada GO-060 e Rodovia Padre Pelágio), algumas figuras interessantes. As idosas catadoras de latinha; os idosos bêbados que andam sozinhos e saem ziguezagueando todo mundo; as adolescentes bêbadas que gritam palavras sem sentido ou imorais e andam apoiadas por outros dois adolescentes menos bêbados; os celibatários e as celibatárias; as famílias; os jovens com garrafas de vinho que param em vários pontos do caminho; as mães com carrinhos de bebê… Muita gente, muito animado.

Às margens da GO-060 e em todo o trajeto, empresas, prefeitura e governo estadual montam suas tendas para oferecer lanche gratuito aos romeiros. Não acho que seja uma boa idéia comer durante a caminhada, que dura em média quatro horas. Os banheiros químicos não são nada agradáveis. Alguns comerciantes alugam banheiros limpos a R$ 0,50. Foi em um desses que eu entrei uma única vez ao longo de toda a romaria.

Festa

Ao chegar a cidade, lamentei não ter podido assistir nenhuma missa inteira dentro da basílica, já que muitos romeiros folgados dormiam dentro da igreja deitados nos bancos. Não me espanta que eles tivessem essa idéia, a basílica fica em um morro e é muio frio no gramado ao redor dela, o que me intrigou foi não existirem servos paroquiais o suficiente para evitar isso. Talvez fosse só naquele horário da madrugada, não sei.

Mas é claro que a maioria dorme do lado de fora da basílica, no gramado, no cimento, os mais inteligentes levam barracas e acampam, assim não incomodam nem são incomodados facilmente. Porém há gente dormindo em toda a cidade: nas calçadas, nas praças, nos bancos das praças, nas barracas… é romeiro cansado que não acaba mais.

Assim sendo, fomos para a antiga matriz de Trindade, de onde saiu uma procissão às 5h. Participamos da procissão que seguiu para a grande praça da basílica, só lá mesmo para caber tanta gente. Como eu estava com meus pais e eles estavam cansados demais para ficar em pé, não pude ir para a praça e ficar de frente para o altar durante a missa. Ficamos em um gramado, ao lado, de onde só podiamos ouvir. Infelizmente nesse mesmo gramado existiam pessoas sem noção que conversavam alto e riam durante o rito da comunhão, sem perceber que a maioria ali estava sintonizada na missa. Fiquei tão irritada com essas criaturas que nem comunguei.

Eu quero bis

Gosto muito de caminhar e de sentir frio, só por esses dois motivos já teria gostado muito da romaria. Mas foi mais do que isso que me agradou. Muito bom ver as luzes de Goiânia no horizonte noturno, ainda na estrada avistar a Basílica do Divino Pai Eterno, ver tantos desconhecidos andando juntos num caminho tão longo de se fazer a pé, a procissão, a missa… Ano que vem voltarei com máquina fotográfica e filmadora, vale a pena partilhar.

Saiba mais:

Foto do blog Romaria Trindade.

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