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sábado, 28 de março de 2015

Meus produtos "masculinos" favoritos

Desde criança tenho birra com o excesso de rotulação de gênero nos produtos e até hoje isso me irrita muito. Era para a sociedade ter evoluído um pouco nos últimos 25 anos.

- Quanto é essa mochila preta?
- Trezentos e vinte reais. Faz em até dez vezes no cartão.
- É couro?
- Legítimo couro de búfalo. É pra presente?
- Não.
- Mas essa é masculina.
- Problema dela.

Ainda não comprei minha sonhada mochila de couro, mas se eu vier a comprar em uma loja física é provável que eu tenha que travar esse diálogo estúpido novamente.

E é claro que alguns itens respeitam as diferenças biológicas entre homens e mulheres, mas para a maioria dos produtos essa distinção não faz o menor sentido. Acredito até que as empresas lucrariam mais se evitassem rotular sexo em tudo. Fora roupas, desodorantes, repositores hormonais, anticoncepcionais e produtos próprios para a região íntima, não me lembro de mais nada que realmente precise ser vendido como "feminino" ou "masculino".

Há alguns meses atrás, por exemplo, eu estava querendo muito uma nécessaire para viagem que fosse preta, grande, resistente e de algum material que não encardisse. Mas nas seções femininas eu só encontrava nécessaires pequenas, fracas, "encardíveis" e com estampas cafonas. Então fui às seções masculinas e assim achei uma que era simplesmente perfeita para minha necessidade:

Essa nécessaire é uma edição especial da linha Malbec de O Boticário. Hoje não é mais vendida na loja virtual, mas me lembro que na época custava o mesmo preço das femininas com 1/3 do tamanho. Dentro dela cabe xampu, condicionador, creme para pentear, hidratante, produtos antiacne, maquiagem… E o material dela é bastante flexível, então a nécessaire se "encaixa" no espaço disponível dentro da mala.

E há pouco tempo também descobri as maravilhas de usar espuma de barbear e loção pós-barba na depilação com lâmina:

Eu sei que existem produtos femininos desse tipo, mas há poucas opções de marcas, raramente encontro nas drogarias e supermercados e, quando encontro, custam mais que os masculinos. A maioria das mulheres que conheço se depila com lâmina, então realmente não entendo porque as empresas não investem mais nisso.

A espuma Nivea Men tem um cheiro amadeirado bem forte que me enjoou no começo, mas depois do terceiro uso me acostumei. Já a loção Abyssal da Jequiti tem uma fragrância cítrica que considero bastante unissex.

E minha "rebeldia" não para por aí. Semana passada chegou um boné preto que comprei em uma seção masculina do site Submarino:

Não gosto de produto que destaca tanto a marca, mas fiquei com esse aí porque, no dia da compra, era o boné escuro mais barato da loja.

Vale lembrar também dos meus tênis pretos. Comprei na Loja Vírus, que geralmente coloca todos os All Star nas duas seções, mas não tenho dúvida de que nas lojas físicas eles estariam apenas na prateleira dos "masculinos":

E quando passei a usar produtos das seções masculinas percebi que as mulheres estão com uma estranha vantagem na variedade: o que fabricantes e lojas chamam de "masculino" quase sempre é unissex. Costumam receber esse rótulo produtos com cores neutras (principalmente escuras), design minimalista e preço menor do que o equivalente "feminino".

Já nas seções "femininas" estão os produtos supercoloridos e/ou cheios de "fru-fru" que a maioria dos homens jamais escolheria porque, em nossa cultura, eles aprendem desde cedo a optar pelo que é prático e básico.

Por isso fica a dica: quando precisar de um produto prático e básico, não se esqueça de olhar a seção masculina: provavelmente ele está "escondido" lá.

Até mais!

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